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segunda-feira, 12 de julho de 2010

JULGAR OU NÃO JULGAR, EIS A QUESTÃO!!!

Quando a mente traduz a realidade, tende a lançar sobre ela um olhar dual. Isso significa que julgamos o que vemos sob um prisma que supõe realidades distintas e inconciliáveis: bom ou ruim, certo ou errado, claro ou escuro, sagrado ou profano, material ou espiritual, etc. No que se refere ao espectro de comportamentos apresentados por um ser humano tendemos a julgar o que é normal ou saudável e anormal ou doentio. Interessante é que na medida em que classificamos a conduta segundo esses parâmetros, respondemos a ela com mais ou menos complacência. Um exemplo disso está na relação que temos com o comportamento preguiçoso, quase sempre julgado como falha de caráter, mas “desculpado” se for diagnosticado como sintoma de depressão. Assim também, quando determinados vícios como o tabagismo, são enquadrados pela ciência na categoria de “doenças”, imediatamente recebem uma acolhida mais pacienciosa do que quando eram vistos como falta de força de vontade. Não é interessante ver como somos capazes de mudar nossos sentimentos segundo algum prisma colocado externamente?Basta que a ciência descubra alguma área do cérebro responsável por aquela conduta ou tendência, alguma química que justifique e passamos a julgar como aceitável ou no mínimo compreensível algum comportamento antes abominável. Você já se perguntou por que isso muda sua predisposição? Perceber que alguém está preso a algum tipo de vício ou dificuldade não deveria ser o suficiente para suscitar alguma compreensão? Que diferença realmente faz “saber” que a preguiça vem de um distúrbio, síndrome, complexo, desvio, disfunção, neurose ou psicose, para efeitos do seu afeto?
Por que você precisa do aval da ciência para entender que alguém está em apuros e pode prescindir de compreensão e talvez, também de colaboração? Informação científica tem sido útil no decorrer da história para que o tratamento adequado minimizasse o sofrimento dos seres vivos, mas afeto e compaixão pouco tem a ver com isso, não confundamos as coisas. Costumamos ter má vontade com aquilo que julgamos ser falha de caráter porque nossa ignorância ou da ciência ainda não enquadrou tal reação em algum sintoma doentio.
O que tem a ver PACIÊNCIA, BOA VONTADE, CONSIDERAÇÃO, COMPREENSÃO, COMPAIXÃO, com o nome da doença ou sua classificação? Quando você tem diante de si alguém com dificuldades precisa de um manual para conseguir amá-lo e acolhe-lo, precisa saber o “nome da doença” para não julgá-lo, não basta ver a dor?

O ser humano tornou-se dependente a aprovação da ciência para Ser Humano, coisa estranha não é? Professores carecem de diagnósticos para fazer a paciência valer à pena; filhos e pais também, veja o caso do mal de Alzheimer, além de tratamento específico, o idoso recebe uma dose suplementar de boa vontade porque agora suas dificuldades tem diagnóstico. Então, julgar é definir quem merece o meu amor, direito que temos todos, desde que saibamos também consultar nosso interior. Pergunte-se apenas por que sim e por que não? Procure saber as motivações de sua mente assim como os desejos mais profundos de seu coração. Pergunte-se como seria de fosse você naquele lugar, do que estaria precisando e o que dificultaria o encontro de soluções. Na verdade você não precisa de nada que justifique sua decisão de amar, no máximo saber se está dentro de suas possibilidades no momento, e se não estiver, aceitar a limitação que não conseguiu ultrapassar, ainda.
A proliferação de especialistas e classificações é um resultado natural da evolução do conhecimento, mas o auto-conhecimento precisa caminhar par a par com a história da ciência. Sentir, intuir, perceber, sensibilizar-se, colocar-se no lugar, sintonizar, conectar-se consigo mesmo e com o próximo faz a ligação entre seres humanos tornar-se significativa, ou seja, preencher-se de significado. E você sabe o que isso significa? É quando algo faz sentido para a mente, para o coração e para o espírito. Assim sendo é saudável porque nos torna inteiros, e tudo o que integra o Ser é nutridor. Você não precisa de ninguém lhe dizendo que ser afetivo faz bem a você, TODOS NÓS SABEMOS DISSO EM NOSSO ÍNTIMO. Assim, quando por alguma razão não estiver conseguindo ser afetuoso como lhe faria bem, experimente aceitar algum afeto, seja de quem vier, também é muito curador. Por isso animais de estimação são bons para a saúde, eles nos amam apesar de nossas flutuações de humor ou de amor. Sobretudo, não fique na espera de algum diagnóstico para ser o melhor que pode ser para si e para seu semelhante. Uso a palavra semelhante de propósito, mesmo sabendo ser ela mais de domínio da linguagem espiritual que científica. Somos sim semelhantes, o que não é o mesmo que iguais, mas que temos muito em comum. Todos sabemos como é ruim padecer de alguma dificuldade ou dor e como isso pesa muito mais na solidão da incompreensão.
Medite nisso.
Maria Teresa Reginato
Psicóloga
http://www.facaterapia.com.br/

3 comentários:

  1. ¨...Na verdade vc não precisa de nada que justifique sua decisão de amar...¨.
    O que dizer diante de texto tão belo , e MAIS BELO AINDA porque sei, eu que fiz terapia com vc,ser a mais pura expressão de seu ser?
    Meu carinho e eterna gratidão!
    bj,
    Márcia Couto.

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  2. Você colocou bem, mas acho que o problema está em conseguir se colocar no lugar do outro, e me pergunto como? Se o que eu acredito, gosto, sinto é tão diferente do meu semelhante. As pessoas são muito complexas!

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  3. Muito show a colocação de como necessitamos de apoios externos, mais fortemente se forem científicos para justificar os sentimentos. Assim é nosso mundo ocidental como um todo, algumas pequenas aberturas em terapeutas, médicos, sobre o reconhecimento básico e comprovado também pela ciência, de que somos essa unicidade de corpo e emoção, penso que quando se tem maior clareza sobre essa interatividade fica mais fácil de se colocar no lugar do outro, entender o outro, sentir o outro.

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ACRESCENTE...,sua reflexão é muito bem vinda.

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