domingo, 2 de maio de 2010

MÃE SÓ TEM UMA

"Ela nem mesmo queria a gravidez, talvez tivesse optado por um aborto ...mas não o fez. Tentou então realizar tudo o que podia, sabia ou conseguia e no final foi uma mãe do jeito que deu para ser". E quem sabe o jeito certo de ser mãe?

ELA TEM SIDO TEMA DE MUUUUUITAS SESSÕES DE TERAPIA MAS QUAL MÃE NÃO É?
A jovem mãe solteira que não tinha maturidade para ter filhos, aquela que morreu na infância, a que fugiu e a que ficou. A mãe que se separou do pai e se dedicou demais aos filhos; a que se divorciou e caiu na vida tentando recuperar o tempo perdido e os esqueceu ; a mãe que não se separou e aguentou firme por causa dos filhos; aquela que foi tão feliz no casamento que deixou os filhos em segundo plano; a que se dedicou totalmente aos filhos e esqueceu-se do marido, que acabou encontrando outra mulher; a mãe que se dedicou ao casamento e aos filhos esquecendo-se dela mesma; aquela que foi dura, a complacente, a benevolente, a neurótica, a supermãe, que mãe não é tema de muuuuita terapia?

Uma paciente minha diz que sua mãe deveria ter sido mais exigente; alega que hoje carece de força de vontade e combatividade por isso. Outro diz que a mãe nunca esteve satisfeita com o filho que tem. Por isso desenvolveu baixa estima e é inseguro. Obviamente esses filhos estão fundados de suas razões mas definitivamente não é fácil ser filho de qualquer mãe e onde está esse fenômeno de mulher que entrega o serviço como manda o figurino fazendo de todos nós bebês irremediavelmente felizes?
Será que MÃE virou aquela figura na qual os filhos depositam queixas, fracassos e frustrações?
"EU SÓ SEI QUE FOI A MÃE "
É CLARO QUE FOI A MÃE. Essa é aquela pessoa que estava lá uma parte bastante grande do tempo de sua vida, por mais ausente que ela tenha sido , estava lá, mais do que qualquer outra pessoa, Então tinha que errar e muito, é uma questão de proporção; muito tempo com o filho, muitos erros com os filhos. Mas tb tem acertos, esses não são temas de estatística ou terapia. Se o menino acerta é pq tem capacidade mas se erra... é culpa da mãe. Às vezes cansa, mãe sofre de culpa crônica pelo que fez e não deveria ter feito, pelo que não fez mas poderia ( como se tivesse errado porque quis). Não estou aqui para dizer que não há mães descuidadas
ou que o abandono é fantasia infantil mas que talvez , se as mães fossem menos criticadas e mais amparadas, errassem menos. Meu apelo é para as instituições, patrões, governo e sociedade:
Apoiem as mães, isso é tratar o abandono infantil pela raíz.
As pessoas erram porque não sabem o que fazer ou se sabem, nem sempre estão em condições de cumpri-lo . Aquelas que sabem, podem e não o fazem pq não querem estão profundamente doentes, portanto tb não erram pq querem. E dentro desse papel, o de mãe, o ministério mais delicado, trabalhoso, diversificado, oneroso e fundamental de todas as funções humanas, vamos e venhamos, são colossais as possibilidades de erro.

Que SER MÃE É PADECER NO PARAÍSO
isso é uma verdade incontestável pq o que se tem é o acontecimento mais importante da vida se desenrolando debaixo do seu nariz e vc está tão terrivelmente ocupada em tentar acertar, que tem grandes possibilidades de falhar deploravelmente. E mais, um dia essa mãe vai se tornar avó e então, estando muito menos ocupada de suas angustias maternas terá tempo de sobra para constatar como poderia ter sido muuuuuuuito melhor e talvez até faça terapia tb por causa disso, Não é uma covardia?
E como se não bastasse, todos os deveres, todas as responsabilidades, nada de reedição, fotoshop, videotape, afinal a vida passada ao vivo e a cores; todo erro cometido pode vir a ser irremediável e mesmo que não seja tanto, é erro de mãe e mãe não tem esse direito.

SER MÃE JÁ É EM SI UMA ATENUANTE e acredite...É MESMO. Procuro dedicar às mães especial delicadeza, O CARGO MERECE RESPEITO mesmo que a pessoa não o tenha desempenhado a contento. É o primeiro passo para ajudar.

A psicologia não está aí para crucificar as mães mas as pessoas confundem as coisas. O mito da maternidade precisa cair por terra definitivamente. Que mal se compare, ser mãe é mais ou menos como ser artista: 90% de ralação e se vier 10% de recompensa saiba que vc já se saiu MUUUUUITO BEM
.
Maria Teresa Reginato - Psicóloga
visitem o site  http://www.facaterapia.com.br/

3 comentários:

  1. Amei o texto!
    Agora já com meus 29 anos é que entendo melhor que minha mãe (que me criou sozinha)sempre se martirizou por se achar uma mãe ruim.
    Mas ela sempre foi perfeita!
    Ainda que eu diga ela não crê, devido ao peso e responsabilidade que a sociedade já colocou nas mães sobre a criação dos filhos.
    Sei que nem todas as mulheres tem esse dom, mas eu desejo que, qdo meu momento chegar, eu consiga ter ao menos 1% da garra de minha mãe, e já me sentirei padecendo no paraíso!
    Parabéns pelo texto!
    Abraços, Anna

    ResponderExcluir
  2. estou chegando de um trabalho arduo e compensador... afinal nosso trabalho nos dá a chance de que somos parte de uma sociedade que vive com a atenção em busca da felicidade conjugal... mas nem sempre isso é possivel... pois todos somos suceptiveis a publicidade inerente do dia a dia... e o pouco que contribuimos nem sempre é o suficiente para que todos nós nos sintamos felizes... somente percebemos que temos tudo.. quando vemos a miséria em todo o planeta... seja aqui ... ou em qualquer lugar da Africa... mas como poder sanar tudo isso... quiças que o poder divino nos abra a mente e possamos dividir com os demais o pão que jogamos fora no dia seguinte...

    quiças que possamos dividir a moeda que sobrou e infelizmente doamos a igreja que nada faz por esses miseros cristãos... que não tiveram a sorte de ganhar uma loteria... pois quem não joga não ganha...

    portanto sou apenas um desses brasileiros que aqui esta dando a sua contribuição salarial de percentual de impostos que so servem para manter este governo espurio... e que se diz honesto... que de honesto nada tem... nem mesmo seus filhos que abusam da autoridade executivo...

    bom dia a todos voces contribuintes deste país que se diz HONESTO... E DIGNO...

    ResponderExcluir
  3. Lindo Tereza, parabéns! Eu, que estou começando a desempenhar este papel agora, já consigo entender plenamente as suas palavras... mas somente agora, que provei o peso e a alegria deste novo papel, é que entendo a dimensão destas palavras.

    ResponderExcluir

ACRESCENTE...,sua reflexão é muito bem vinda.

Arquivo do blog